Em
1930 D. Rita Vilar Suassuna, que se vira obrigada pela alta de
segurança reinante em seu Estado a mudar-se para Pernambuco,
transferiu-se com os nove filhos do casal para o sertão
paraibano, indo instalar-se na Fazenda Acahuan, de propriedade
da família, e depois na vila de Taperoá, onde Ariano
Suassuna fez os estudos primários.
A infância passada no sertão familiarizou o futuro
escritor e dramaturgo com os temas e as formas de expressão
artística que viriam mais tarde constituir seu universo
ficcional ou, como ele próprio o denomina, seu "mundo
mítico". Não só as estórias e
casos narrados e cantados em prosa e verso foram aproveitados
como suporte na plasmação de suas peças,
poemas e romances. Também as próprias formas da
narrativa oral e da poesia sertaneja foram assimiladas e reelaboradas
por Suassuna. Suas primeiras produções - publicadas
nos suplementos literários dos jornais do Recife, quando
o autor fazia os estudos pré-universitários no Colégio
Osvaldo Cruz singularizavam-se pelo domínio dos ritmos
e metros cristalizados na poética nordestina.
CRONOLOGIA:
Em
1946, ao ingressar na Faculdade de Direito do
Recife, Ariano Suassuna ligou-se ao grupo de jovens escritores
e artistas que, tendo à frente Hermilo Borba Filho, Joel
Pontes, Gastão de Holanda e Aloísio Magalhães,
acabavam de fundar o Teatro do Estudante Pernambucano.
Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma
mulher vestida de sol, que obteve o primeiro lugar em concurso
de âmbito nacional promovido pelo TEP (Prêmio Nicolau
Carlos Magno).
Em 1948, especialmente para a inauguração
da Barraca, o palco itinerante do TEP, escreveu Cantam as harpas
de Sião, peça totalmente refundida anos depois com
o título de O desertor de Princesa. A esses dois ensaios
iniciais seguiu-se a peça Os homens de barro (1949),
em que as inquietações espirituais exacerbaram os
processos expressionistas empregados na primeira versão
de Cantam as harpas de Sião. As mesmas inquietações
estiveram presentes em duas outras peças, Auto de João
da Cruz, que recebeu o Prêmio Martins Pena em 1950, e Arco
desolado (menção honrosa no concurso do IV Centenário
da Cidade de São Paulo, 1954).
Após formar-se na Faculdade de Direito, em 1950,
passou a dedicar-se também à advocacia. Mudou-se
de novo para Taperoá, onde escreveu e montou a peça
Torturas de um coração, em 1951.
No ano seguinte, voltou a residir em Recife. São dessa
época O castigo da soberba (1953), O rico
avarento (1954) e o Auto da Compadecida (1955),
peça que o projetou em todo o país e que seria considerada,
em 1962, por Sábato Magaldi "o texto mais popular
do moderno teatro brasileiro". Encenado, em 1957, pelo Teatro
Adolescente do Recife no Festival de Teatros Amadores do Brasil
realizado no Rio, o auto conquistou a medalha de ouro da Associação
Brasileira de Críticos Teatrais. Sucesso permanente de
público e de crítica, o Auto da Compadecida está
hoje incorporado ao repertório internacional, traduzido
e representado em espanhol, francês, inglês, alemão,
polonês, tcheco, holandês, finlandês e hebraico.
Em 1956, Ariano Suassuna abandonou a advocacia
para tornar-se professor de Estética na Universidade Federal
de Pernambuco. No ano seguinte, foi encenada a sua peça
O casamento suspeitoso, em São Paulo, pela Cia. Sérgio
Cardoso, e O santo e a porca; em 1958, foi encenada a sua peça
O homem da vaca e o poder da fortuna; em 1959, A pena e a lei,
premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro.
Em 1959, em companhia de Hermilo Borba Filho,
fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a Farsa
da boa preguiça (1960) e A caseira e a
Catarina (1962). No início dos anos 60,
interrompeu a bem-sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se
às aulas de Estética na UFPe.
Foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura (1967)
e nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento
de Extensão Cultural da UFPe (1969). Ligado
diretamente à cultura, iniciou em 1970,
em Recife, o "Movimento Armorial", interessado no desenvolvimento
e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais.
Convocou nomes expressivos da música para procurarem uma
música erudita nordestina que viesse juntar-se ao movimento,
lançado em Recife, em 18 de outubro de 1970, com o concerto
"Três Séculos de Música Nordestina do
Barroco ao Armorial" e com uma exposição de
gravura, pintura e escultura.
Entre 1958-79, dedicou-se também à
prosa de ficção, publicando o Romance d’A
Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971),
laureado com o Prêmio Nacional de Ficção conferido
em 1972 pelo Instituto Nacional do Livro; e história d’O
rei degolado nas caatingas do serão/Ao sol da onça
caetana (1976), classificados por ele de "romance armorial-popular
brasileiro".
OBRAS:
TEATRO:
Uma mulher vestida de sol (1947; publicada
em 1964).
Cantam as harpas de Sião, ou O desertor de
Princesa (1984).
Os homens de barro (1949).
Auto de João da Cruz (1950).
Torturas de um coração, peça
para mamulengos (1951).
O castigo da soberba, entremês popular
(1953).
O rico avarento, entremês popular
(1954).
Auto da Compadecida (1955; publicada
em 1957).
O casamento suspeitoso (1957; publicado
em 1961).
O santo e a porca (1957; publicada em
1964).
O homem da vaca e o poder da fortuna, entremês
popular (1958).
A pena e a lei (1959; publicada em 1971).
Farsa da boa preguiça (1960;
publicada em 1973).
A caseira e a Catarina (1962).
O santo e a porca. O casamento suspeitoso
(1974).
FICÇÃO:
Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe
do Sangue do Vai-e-Volta (1971).
História d’O Rei Degolado nas caatingas
do sertão (1977).
OUTRAS:
É de tororó, em colaboração
com Capiba e Ascenso Ferrera (1950).
Ode (1955).
Coletânea da poesia popular nordestina
(1964).
Iniciação à estética,
teoria literária (1975).
O Movimento Armorial (1974).
Seleta em prosa e verso (contendo quatro
peças inéditas)
Organização, estudo e notas do prof.
Silviano Santiago (1975).