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CAIO FERNANDO ABREU
Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu em Santiago (antigo Santiago do Boqueirão), no Rio Grande do Sul, a 12 de setembro de 1948 e faleceu dia 25 de fevereiro de 1996, em Porto Alegre. Ingressou em 1967 no curso de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que abandonou para dedicar-se ao jornalismo.
 

Como jornalista, trabalhou em alguns dos principais jornais e revistas do Brasil, como Veja, Manchete, Correio do Povo, Zero Hora, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, onde publicou crônicas entre 1986 e 1995. Vivendo entre Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, com alguns períodos no exterior, o escritor recebeu vários prêmios, entre eles o Jabuti pelo romance Triângulo das Águas. Seu livro de contos Morangos Mofados (1982) marcou uma geração ao ser lançado na coleção Cantadas Literárias, da Editora Brasiliense, tornando-se um dos maiores sucessos editoriais da década de 1980. Vários de seus livros estão traduzidos na Alemanha, França, Inglaterra, Itália e Holanda. Sua prosa ao mesmo tempo delicada e agressiva, freqüentemente confessional, muitas vezes transborda de emoção com a lembrança de uma amizade, de uma música ou poema, de um lugar. Em suas crônicas, publicadas com maior regularidade nos últimos anos de vida, a morte e a descoberta das coisas simples da vida são assuntos recorrentes. Em setembro de 1994, declarou publicamente em sua crônica semanal que era portador do vírus HIV. Morreu aos 47 anos de complicações causadas pelo vírus.


"[...] um ficcionista refinado e discreto que, na sua breve vida de escritor marginalizado, nos deu um reduzido ciclo de obras-primas ?urbanas? com personagens isoladas no mundo e prisioneiras delas mesmas. Contos e romances de formação, como ritos de passagem, eles possuem uma dimensão surrealista em que mais evidente se torna o conflito entre indivíduo e sociedade"

STEGAGNO-PICCHIO, Luciana. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997, p. 646.




CRONOLOGIA:

1966: Porto Alegre RS - Públicou o conto O Príncipe Sapo na revista Cláudia; escreveu o romance Limite Branco.
1970: Participou de Roda de Fogo, antologia de autores gaúchos.
1971: Rio de Janeiro RS - Trabalhou como pesquisador e redator das revistas Manchete e Pais e Filhos.
1972: Porto Alegre RS - Trabalhou como redator do jornal Zero Hora e colaborador do
Suplemento Literário de Minas Gerais.
1974: Porto Alegre RS - Trabalhou com o grupo Província como autor e ator na peça Sarau das
Nove às Onze; colaborou em veículos da imprensa alternativas tais como Opinião, Movimento,
Ficção, Inéditos, Versus, Paralelo, Escrita.
1975: Escreveu a peça Uma Visita ao Fim do Mundo, proibida de ser encenada na época pela Censura Federal.
1976: Trabalhou na Folha da Manhã como crítico teatral. Participou das antologias Assim Escrevem
os Gaúchos e Teia, editada com os recursos dos autores.
1977: Lançou Pedras de Calcutá e integrou a antologia Histórias de Um Novo Tempo.
1978: São Paulo SP - Trabalhou como redator da revista Pop; participou da Antologia da
Literatura Riograndense Contemporânea.
1981: São Paulo SP - Tornou-se editor de Leia Livros.
1983: Rio de Janeiro RJ - Colaborou na revista IstoÉ.
1984: Porto Alegre RS - Foi encenada a peça Pode Ser que Seja Só o Leiteiro Lá Fora, por
Luciano Alabarse no Clube de Cultura de Porto Alegre.
1985: São Paulo SP - Trabalhou como editor da revista A-Z; escreveu o roteiro de Joana Repórter,
série de televisão produzida e estrelada por Regina Duarte.
1986: São Paulo SP - Redator do Caderno 2, de O Estado de S.Paulo.
1987: São Paulo SP - Escreveu o roteiro de Romance, filme de longa metragem de Sérgio Bianchi;
juntamente com Luiz Arthur Nunes compõe a peça A Maldição do Vale Negro.
1988: Trabalhou novamente como redator da revista A-Z.
1991: Londres (Inglaterra) e Paris (França) - Lançamento das traduções para inglês e francês
de Os Dragões Não Conhecem o Paraíso.
1993: Berlim (Alemanha) - Participou do Congresso Internacional de Literatura e Homossexualismo.
1993: Erlagen (Alemanha) - Representou o Brasil na III Interlit, Encontro Internacional de
Escritores, juntamente com Rubem Fonseca e Sonia Coutinho.
1994: São Paulo SP - Reedição de seu primeiro romance Limite Branco.
1994: Colaborou no Caderno Cultura, do jornal Zero Hora de Porto Alegre.
1994: Frankfurt (Alemanha) - Participou da 46ª Feira Internacional do Livro, que teve o Brasil como país-tema.
1994: Porto Alegre RS - Foi lançada a antologia de contos Ovelhas Negras, pela editora Sulina.
1994: Porto Alegre RS - Foi lançado (em setembro) Molto Lontano di Mariembad , uma antologia de contos.
1994: Porto Alegre, RS - Foi escolhido como patrono da 41º Feira do Livro de Porto Alegre.
1995: Foi incluído na antologia de The Penguim Book of International Gay Writing, com Linda, Uma História Horrível.

OBRAS:

Inventário do Irremediável, Movimento, 1970.
Limite Branco,, Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 1971.
O Ovo Apunhalado, Rio Grande do Sul, Globo, 1975 / 2ª edição, RJ, Salamandra, 1984 / 3ª edição, SP, Siciliano, 1992.
Pedras de Calcutá, São Paulo, Alfa-Omega, 1977.
Morangos Mofados, São Paulo, Brasiliense, 1982.
Triângulo das Águas, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1983 / 2ª edição, SP, Siciliano, 1993.
As Frangas, Rio de Janeiro, Globo, 1988.
Os Dragões não Conhecem o Paraíso, São Paulo, Companhia das Letras, 1988.
A Maldição do Vale Negro, Instituto Estadual do Livro, 1988. (peça teatral)
Onde Andará Dulce Veiga?, São Paulo, Companhia das Letras, 1990.
Bien Loin de Marienbad, Paris, França Arcane 17, 1994.
Ovelhas Negras, Rio Grande do Sul, Sulina, 1995. (2ª edição)
A Arte da Guerra, de Sun Tzu, 1995 (Tradução).
Mel & Girassóis (Antologia)
Estranhos Estrangeiros, São Paulo, Companhia das Letras, 1996.
Teatro Completo, 1997.
O Homem e a Mancha. (Teatro)
Zona Contaminada.
(Teatro)


 
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