Serenidade,
timidez e recato eram as características que distanciavam
o poeta das câmeras e microfones. Recusou, inclusive,
os convites para ser membro da Academia Brasileira de Letras.
"No início dos anos 20, o jovem Drummond participava
do Jornal Falado do Salão Vivacqua. Tratava-se de saraus
idealizados por Mariquinhas, uma das filhas de Antônio
Vivacqua. A família, natural do Espírito Santo,
havia se mudado para Belo Horizonte porque o poeta Achilles,
um dos filhos de Antônio, estava com tuberculose e o ar
da capital mineira era recomendado para o tratamento da doença.
A beleza, inteligência e senso de humor de Mariquinhas
logo cativaram Drummond. O namoro na praça era acompanhando
por duas irmãs mais novas de Mariquinhas: Eunice e Dora,
que anos mais tarde viria a se transformar em Luz del Fuego.
O romance não foi muito longe. Em uma noite entediante,
Drummond e o amigo Pedro Nava imaginaram uma forma de as irmãs
Vivacqua (seis belas moças, além das três
crianças Eunice, Cléa e Dora) “saírem
à rua de camisola, feito libélulas esvoaçantes.
Com um pedaço de papel, atearam um foguinho na seteira
do rés do chão que ficava sob o quarto das moças.
O fogo se alastrou, tomando conta de todo o porão da
casa. Esquecidos das poéticas libélulas, os apavorados
incendiários deram eles mesmos o alarme e ajudaram a
apagar o incêndio” (in Luz del Fuego - A bailarina
do povo, de Cristina Agostinho, Editora Best Seller). A brincadeira
foi perdoada por Aquilles e Mariquinhas, mas Antônio Vivacqua
proibiu os encontros da filha com Drummond."
Admirador de Manuel Bandeira, fez de sua poesia o que de melhor
há na cultura poética nacional. Fez poesia sobre
o banal, sobre o complexo, sobre o amor, fez poesia sobre a
vida (ou fez da vida poesia ?). Para compreender sua poesia
é preciso mais do que lê-la, é preciso senti-la
e o melhor caminho é ler, se possível, tudo quanto
ele escreveu.
O primeiro poema de Alguma poesia
é o conhecido "Poema de sete faces",
do qual transcreve-se a primeira estrofe:
Quando
nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
"A palavra gauche (lê-se gôx), de origem francesa,
corresponde a "esquerdo" em nosso idioma. Em sentido
figurado, o termo pode significar "acanhado", "
inepto". Qualifica o ser às avessas, o "torto",
aquele que está à margem da realidade circundante
e que com ela não consegue se comunicar. É assim
que o poeta se vê. Logicamente, nesta condição,
estabelece-se um conflito: "eu " do poeta X realidade.
Na superação desse conflito, entra a poesia, um
veículo possível de comunicação
entre a realidade interior do poeta e a realidade exterior."
CRONOLOGIA:
•
1916: Interrompeu os estudos por problemas
de saúde.
• 1918: Foi aluno do Colégio Anchieta,
da Companhia de Jesus, em Nova Friburgo.
• 1920: Foi expulso do colégio.
• 1924: Enviou carta a Manuel Bandeira
manifestando sua admiração pelo poeta.
• 1924: Conheceu Mário de Andrade,
Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.
• 1925:
Casou-se com Dolores Dutra de Morais.
• 1927:
Nasceu seu filho Carlos Flávio, que só viveu por
alguns instantes.
• 1928:
Publicou na Revista Antropofagia o poema "No meio do caminho".
• 1928:
Nasceu sua filha Maria Julieta (sua grande paixão e eterna
musa).
• 1930: Foi editado seu primeiro livro:
Alguma Poesia.
• 1931: Faleceu seu pai, aos 70 anos
de idade.
• 1934: Transferiu-se para o Rio de Janeiro.
• s/d :
Foi
nomeado Chefe de Gabinete do ministro Gustavo Capanema.
OBRAS:
-
Poesia:
Alguma poesia, 1930.
Brejo das almas, 1934.
Sentimento do mundo, 1940.
José, 1942.
A rosa do povo, 1945.
Novos poemas, 1948.
A mesa, 1951.
Claro enigma, 1951.
Viola de bolso, 1952.
Fazendeiro do ar, 1954.
Soneto da buquinagem, 1955.
Ciclo, 1957.
A vida passada a limpo, 1959.
Lição de coisas, 1962.
Viola de bolso II, 1964.
Versiprosa, 1967.
José & outros, 1967.
Boitempo & A falta que ama, 1968.
Nudez, 1968.
Reunião, 1969.
As impurezas do branco, 1973.
Menino antigo (Boitempo II), 1973.
A visita, 1977.
O marginal Clorindo Gato, 1978.
Esquecer para lembrar (Boitempo III),
1979.
A paixão medida, 1980.
Nova reunião, 1983.
Corpo, 1984.
Amar se aprende amando, 1985.
Tempo vida poesia, 1986.
Poesia errante, 1988.
Farewell, 1996.
- Antologias poéticas:
50 poemas escolhidos pelo autor, 1956.
Antologia poética, 1962.
Seleta em prosa e verso, 1971.
Amor, amores, 1975.
Carmina Drummondiana, 1982.
Boitempo I e Boitempo II, 1987.
- Infantis:
O elefante, 1983.
História de dois amores, 1985.
- Edições de poesias reunidas:
Poesias, 1942.
Poesia até agora, 1948.
Fazendeiro do ar & Poesia até agora,
1954.
Poemas, 1959.
Reunião, 1969.
Nova reunião, 1983.
Coleção Verso na Prosa Prosa no Verso,
1997.
Coleção Mineiramente Drummond
- A palavra mágica, 1997.
- Prosa:
Confissões de Minas, 1944.
O gerente, 1945.
Contos de aprendiz, 1951.
Passeios na ilha, 1952.
Fala, amendoeira, 1957.
A bolsa & a vida, 1962.
Cadeira de balanço, 1966.
Caminhos de João Brandão,
1970.
O poder ultrajovem e mais 79 textos em prosa e verso,
1972.
De notícias & não-notícias
faz-se a crônica, 1974.
Os dias lindos, 1977.
70 historinhas, 1978.
Contos plausíveis, 1981.
Boca de luar, 1984.
O observador no escritório,
1985.
Moça deitada na grama, 1987.
O avesso das coisas, 1988.
Auto-retrato e outras crônicas,
1989.
- Conjunto de Obra:
Obra completa, 1964.
- Antologias Diversas:
Rio de Janeiro em prosa & verso
(em colaboração com Manuel Bandeira), 1965.
Andorinha, andorinha, de Manuel Bandeira,
1966.
Uma pedra no meio do caminho (Biografia
de um poema. Com estudo de Arnaldo Saraiva), 1967.
Minas Gerais, 1967.
- Antologias Diversas:
Quadrante, 1962.
Quadrante II, 1963.
Vozes da cidade, 1965.
Elenco de cronistas modernos, 1971.
Don Quixote, 1972.
Para gostar de ler, 1977.
O melhor da poesia brasileira I, 1979.
O pipoqueiro da esquina, 1981.
A lição do amigo, 1982.
Quatro vozes, 1984.
Mata Atlântica, 1984.