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GRACILIANO
RAMOS |
O escritor Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em 27 de outubro
de 1892, na cidade de Quebrangulo, Alagoas. Graciliano, considerado
pela crítica como um dos maiores romancistas brasileiros,
é o primeiro dos 16 filhos do casal Sebastião Ramos
de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos. Faleceu em 1953.
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Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá
de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam
com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da
lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente,
voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma,
duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma
molhada, agora jogando a água com a mão. Batem
o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma
torcida e mais outra, torcem até não pingar
do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo
isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda
ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa.
A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como
ouro falso; a palavra foi feita para dizer."
(Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948)
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Em 1894 o escritor mudou-se com a família para Buíque,
interior de Pernambuco. Em 1900, quando tinha 8 anos, voltou para
Alagoas. A cidade agora é Viçosa. Nesse local, junto
com um primo, dirige o jornalzinho O Dilúculo, no qual
publica sua primeira obra: o conto “Pequeno mendigo”.
Nota: Em algumas obras sobre o autor esse conto também
é intitulado de “Pequeno pedinte”.
No ano de 1904 foi para o Internato em Maceió, onde permaneceu
por seis anos. Nesta época, dedicou-se ao estudo do inglês,
do francês, e do italiano. Em 1910, quando saiu do internato,
foi para Palmeira dos Índios. A família mudara-se
de Viçosa. Nessa época Graciliano trabalhou na loja
do pai e, devido à profunda paixão pela literatura,
passou a escrever no Balcão da loja.
Em 1914 Graciliano mudou-se para o Rio de Janeiro, onde , sem
ter cursado nenhuma faculdade, começou a trabalhar como
revisor em alguns jornais. Dentre eles o “O correio da manhã”
e “A tarde”. Nessa fase assinou seu trabalho com o
pseudônimo de Ramos de Oliveira ( R.O).
A permanência no Rio durou pouco. Um ano depois voltou à
Palmeira dos Índios, devido a uma situação
nada agradável: em um só dia morreram, vítimas
da peste bubônica, duas de suas irmãs, um irmão
e um sobrinho. Ainda em 1915 casou-se com Maria Augusta de Barros
e retomou as atividades de comerciante, agora como proprietário
da loja “Sincera”.
Em 1920, ficou viúvo, sua esposa morreu no parto. Responsável
pelos quatro filhos menores, nessa época Graciliano também
escreveu crônicas para vários jornais. Em 1925 iniciou
a obra "Caetés", que foi finalizada em 1928 e
publicada em 1933.
Devido à participação ativa na vida política
da cidade, foi eleito prefeito em 1927. Em 7 de janeiro de 1928,
Graciliano assumiu a prefeitura de Palmeira dos Índios
e investiu em educação, abrindo três escolas.
Além disso, mostrou-se um excelente administrador.
A política também ajudou Graciliano nos meios literários:
seus ofícios chamaram a atenção de um editor
carioca, que o convidou para publicar a obra "Caetés".
Ainda em 1928 casou-se com Heloísa de Medeiros.
Em
1930, renunciou ao cargo de prefeito, sendo, em seguida, nomeado
diretor da Imprensa Oficial do Estado, de onde se demitiu em dezembro
de 1931, por motivos políticos. No ano seguinte, em Palmeira
dos Índios, começou escrever a obra "São
Bernardo". Um fato curioso sobre essa obra é que boa
parte dela foi escrita na sacristia da igreja Matriz da cidade.
Devido a problemas de saúde a obra teve que ser interrompida
e Graciliano foi para Maceió, onde foi operado. O período
que ficou no hospital resulta no conto “O relógio
do hospital” e do livro “Insônia”.
Quando saiu do hospital voltou a escrever "São Bernardo".
Em 1933 Graciliano deixou definitivamente Palmeira dos Índios,
pois foi nomeado diretor de Instrução Pública
de Alagoas (esse cargo hoje corresponde ao de secretário
de Estado da Educação).
No ano de 1934 lançou a obra "São Bernardo",
considerada por muitos críticos como a sua obra-prima.
Em 1936 lançou “Angústia” que é
considerado o romance tecnicamente mais complexo de Graciliano
Ramos, no qual o autor retrata a cidade de Maceió daquela
época.
Durante o período que permaneceu na secretaria da educação
revolucionou os métodos de ensino da época. No entanto,
devido as suas idéias, consideradas "extremistas",
foi demito em 1936.
Ainda nesse ano, precisamente no dia 3 de março, foi preso
sob a acusação de ligação com o Partido
Comunista. A acusação é falsa, pois Graciliano
só entrou para o PCB em 1945. Mesmo sem acusação
formal ou julgamento, foi deportado para o Rio de Janeiro, onde
permaneceu encarcerado até 1937. Dessa experiência
resultou a obra "Memórias do cárcere",
que só começou a ser escrita em 1946 “Resolvo-me
a contar, depois de muita hesitação, casos passados
há dez anos”.
A obra "Memórias do cárcere", publicada
somente 1953, foi transformada em filme por Nelson Pereira dos
Santos.
Depois de ser libertado da prisão, Graciliano ficou morando
no Rio de Janeiro em um quarto de pensão, com a mulher
e os filhos menores.
Em
1938 publicou o livro que se tornaria sua obra-prima: "Vidas
secas", seu quarto e último romance, que é
voltado para o drama social e geográfico de sua região
- melhor expressão de seu estilo- com ênfase regionalista.
Em 1939 voltou a assumir um cargo público, dessa vez como
inspetor Federal do Ensino Secundário. Em 1942 ganhou o
prêmio Filipe de Oliveira. Em 1945, com o término
da Ditadura Vargas, filiou-se ao Partido Comunista.
Seis
anos depois foi eleito presidente da Associação
Brasileira de Escritores (ABDE). Em 1952 viajou pela antiga União
Soviética e parte da Europa. Dessa viagem resulta o livro
“Viagem”, publicado postumamente.
Em 1953, já de volta ao país, Graciliano Ramos,
o Mestre Graça, como era carinhosamente tratado, morreu,
vítima de câncer no pulmão, na cidade do Rio
de Janeiro, no dia 30 de março de 1953, aos 61 anos.
[Fonte: www.mundocultural.com.br]
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Quem dormiu no chão deve lembra-se disto, impor-se
deisciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas
estreitas. Escreverá talvez asperezas, mas é
delas que a vida é feita: inútil negá-las,
controná-las, envovê-las em gaze. "
(Graciliano
Ramos - Memórias do Cárcere)
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OBRAS:
- Insônia, Record, s.d.
- Viventes das Alagoas, Record, s.d.
- Cartas de amor à Heloísa,
Record, s.d.
- Cartas, Record, s.d.
- O estribo de prata, Record, 1984.
- Infância, Record, 1998.
- A terra dos meninos pelados, Record,
1999.
- Memórias do cárcere,
Record, 2001.
- Linhas tortas, Record, 2002.
- Vidas secas, Record, 2003.
- São Bernardo, Record, 2003.
- Angustia, Record, 2003.
- Alexandre e outros heróis,
Record, 2003.
- Caetés, Record, 2006.
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