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GUIMARÃES ROSA

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG) a 27 de junho de 1908. Foi o primeiro dos seis filhos de D. Francisca (Chiquitinha) Guimarães Rosa e de Florduardo Pinto Rosa, mais conhecido por "seu Fulô" – comerciante, juiz-de-paz, caçador de onças e contador de estórias. Faleceu no Rio de Janeiro em 19 de novembro de 1967.


"Guimarães Rosa soube conciliar as reflexões e os estilos mais autenticamente brasileiros (ensaismo e oralidade) com as formas narrativas das vanguardas (fluxo de consciência, memória involuntária). Meio século depois da publicação de seu grande romance, temos distância e proximidade adequadas para debatermos a riqueza dessa paradoxal criação."

(Kathrin Holzermayr Rosenfield)

" Quanto mais ando, querendo pessoas, parece que entro mais no sozinho do vago..." - foi o que pensei na ocasião. De pensar assim me desvalendo. Eu tinha culpa de tudo, na minha vida, e não sabia como não ter. Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo; que, quando notei que estava com dor-de-cabeça, e achei que por certo a tristeza vinha era daquilo, isso até me serviu de bom consolo. E eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia.

"Grande Sertão:Veredas"


Guimarães Rosa
passou a infância no centro-norte de Minas Gerais. Cursou o secundário e a faculdade de Medicina em Belo Horizonte. Graduado, trabalhou em várias cidades do interior mineiro, sempre demonstrando profundo interesse pela natureza, por bichos e plantas, pelos sertanejos e pelo estudo de línguas (estudou sozinho alemão e russo). Em 1934, iniciou carreira diplomática, prestando concurso para o Ministério do Exterior - serviu na Alemanha durante a II Guerra Mundial e posteriormente na Colômbia e na França. Em 1958, foi nomeado ministro; é dessa época o reconhecimento da genialidade do escritor, em conseqüência da publicação de "Corpo de baile" e "Grande sertão: veredas", ambos de 1956. Em 16 de novembro de 1967, tomou posse na Academia Brasileira de Letras.

Publicando seu primeiro livro - "Sagarana" - em 1946, um ano após a queda de Getúlio Vargas e o início das produções da chamada Geração de 45, Guimarães Rosa apontaria novos rumos para a literatura brasileira. Passada a primeira fase do Modernismo e já vivida a experiência da prosa regionalista da década de 30, os contos de Sagarana abririam uma nova perspectiva para o regionalismo. A principio, percebe-se uma revalorização da linguagem; a seguir, a universalização do regional. 0 valor da linguagem particular de Guimarães Rosa não está no rebuscamento das palavras no uso de arcaísmos, mas sim nos neologismos, na recriação, na invenção das palavras, sempre tendo como ponto de partida a fala dos sertanejos, suas expressões, suas particularidades. Com isso, as palavras recriadas ganham força e significado novos, como afirma o crítico português Oscar Lopes.

O misticismo, outro aspecto relevante da obra de Guimarães Rosa, está sugerido na última das interrogações de Drummond em seu poema-homenagem "Um chamado João": "Tinha parte com ..." o diabo? Ou era ele a "ponte entre o sub e o sobre", dividido entre os que lutam "de antes do princípio", Deus e o diabo, o Bem e o Mal? Em Guimarães Rosa transparece todo o misticismo do sertão, uma religiosidade quase medieval, baseada apenas nos dois extremos e marcada pelo medo, pelo pavor, em que há até mesmo a preocupação de não invocar o demo, para que ele não "forme forma"; daí o diabo ser tratado por "o que não existe" ou "o que não é mas finge ser" e expressões semelhantes.

Assim é o sertão de Rosa: ora particular, pequeno e próximo; ora universal e infinito, pois "o sertão é o mundo" ou, melhor ainda, "o sertão é dentro da gente". Por isso, logo na abertura de "Grande sertão: veredas", o autor nos situa diante do problema:

"O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucúia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo Jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucúia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá - fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniões... O sertão está em toda a parte."

[Fonte: vestibular.setanet.com.br - Por: José de Nicola, por Esquina da Literatura]

OBRAS:


- Magma, Nova Fronteira, 1997.
- Grande sertão: veredas, Nova Fronteira, 2001.
- Sagarana
, Nova Fronteira, 2001.
- Estas estórias, Nova Fronteira, 2001.
- Ave, palavra, Nova Fronteira, 2001.
- Noites do Sertão: Corpo de Baile, Nova Fronteira, 2001.
- Tutaméia: Terceiras Estórias, Nova Fronteira, 2001.
- No Urubuquaquá, no Pinhém, Nova Fronteira, 2001.
- Cartas a William Agel de Mello, Ateliê, 2003.
- Escritura de Sagarana, Navegar, 2003.
- Primeiras estórias, Nova Fronteira, 2005.
- Corpo de baile, Nova Fronteira, 2006.
- Hora e Vez de Augusto Matraga, Nova Fronteira, s.d.
- Fita verde no cabelo, Nova Fronteira, s.d.


 
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