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LYA
LUFT |
Lya Luft nasceu em 15 de setembro de 1938, em Santa Cruz do Sul
(RS). A escritora começou sua carreira literária em
1980, aos 41 anos de idade, com a publicação do romance
"As parceiras", seguido por "A asa esquerda do anjo".
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A
escritora iniciou sua vida literária como tradutora de
literaturas em alemão e inglês. Lya Luft já
traduziu para o português mais de cem livros. Entre outros,
destacam-se traduções de Virginia Wolf, Reiner Maria
Rilke, Hermann Hesse, Doris Lessing, Günter Grass, Botho
Strauss e Thomas Mann. Ela diz que traduzir é sua verdadeira
profissão. E que faz tradução para ganhar
dinheiro. Mas também porque gosta. Um trabalho que exige
respeito. Seu desejo é aproximar o escritor estrangeiro
do leitor brasileiro. Confessa que não pode ser inteiramente
fiel, porque pode-se correr o risco de ninguém entender
nada. Mas não faz um carnaval em cima do texto alheio,
não inventa, não cria frases que não existem.
Lya Luft é conhecida por sua luta contra os estereótipos
sociais. "Essas coisas que obrigam as pessoas a ser atletas.
Hoje é quase uma imposição: a ordem é
fazer sexo sem parar, o tempo todo. A ordem é não
fumar, não beber. É essa loucura o dia inteiro na
cabeça. Quem não for resistente acaba enlouquecendo.
E a vida fica para trás. Hoje as pessoas estão sofrendo
muito. Um sofrimento absolutamente desnecessário. Especialmente
as mulheres que fazem plástica logo que vêem uma
ruga no rosto. Plásticas de inteira inutilidade".
Ela deixa claro que nada tem contra as cirurgias plásticas,
mas contra o rumo disso tudo. "Na ambição de
serem sempre jovens, as mulheres acabam perdendo o próprio
rosto. São os falsos mitos da juventude para sempre. E
isso também inclui a febre atual da mídia, particularmente
nas revistas femininas. Só se fala como se pode ter vários
orgasmos numa única noite. Só se fala em como a
mulher deve agir para segurar seu homem pelo sexo, especialmente
o oral. São fórmulas de um mundo conturbado, que
foge ao afeto, distante de qualquer felicidade. Essa é
outra coisa para o enlouquecimento. Em todo lugar, o que existe
é a supervalorização do sexo. Quem não
estiver fazendo sexo sem parar o tempo todo passa a ser anormal.
Muita gente fica complexada porque não consegue vários
orgasmos numa noite. É tudo uma imposição".
[Fonte:
usuarios.cultura.com.br]
CANÇÃO
PARA UM DESENCONTRO
Deixa-me errar alguma vez,
porque também sou isso: incerta e dura,
e ansiosa de não te perder agora que entrevejo
um horizonte.
Deixa-me errar e me compreende
porque se faço mal é por querer-te
desta maneira tola, e tonta, eternamente
recomeçando a cada dia como num descobrimento
dos teus territórios de carne e sonho, dos teus
desvãos de música ou vôo, teus sótãos
e porões
e dessa escadaria de tua alma.
Deixa-me
errar mas não me soltes
para que eu não me perca
deste tênue fio de alegria
dos sustos do amor que se repetem
enquanto houver entre nós essa magia.
(Lya
Luft)
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OBRAS:
- Histórias do tempo,
Mandarim, 2000.
- O rio do meio, Record,
2003.
- As parceiras, Record,
2003.
- Perdas e ganhos, Record,
2003.
- A asa esquerda do anjo, Record,
2003.
- O ponto cego, Record,
2003.
- Histórias de Bruxa Boa,
Record, 2004.
- Mar de dentro, Record,
2004.
- Pensar é transgredir,
Record, 2004.
- O quarto fechado, Record,
2004.
- Reunião de família,
Record, 2004.
- Secreta Mirada: e Outros Poemas,
Record, 2005.
- Exílio, Record,
2005.
- A sentinela, Record,
2005.
- Para não dizer adeus,
Record, 2005.
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