"Ler
as obras dos poetas e dos escritores é hoje um dos
poucos prazeres que se nos deixa ao espírito, em
um tempo em que a prosa estéril e tediosa vai substituindo
toda a poesia da alma e do coração."
Machado Assis - "Crônicas",
1510.
|
Filho do operário Francisco José Machado de Assis
e de Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo,
pouco mais se conhecendo de sua infância e início
da adolescência. Foi criado no morro do Livramento e ajudou
missa na igreja da Lampadosa. Sem meios para cursos regulares,
estudou como pôde e, em 1855, com 16 anos incompletos, publicou
o primeiro trabalho literário, o poema "Ela",
na Marmota Fluminense, jornal de Francisco de Paula Brito, número
datado de 12 de janeiro de 1855. No ano seguinte, entrou para
a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo, e lá
conheceu Manuel Antônio de Almeida, que se tornou seu protetor.
Em 1859, era revisor e colaborador no Correio Mercantil e, em
60, a convite de Quintino Bocaiúva, passou a pertencer
à redação do Diário do Rio de Janeiro.
Escrevia regularmente também para a revista O Espelho,
onde estreou como crítico teatral, A Semana Ilustrada,
de 16 de dezembro de 1860 até, pelo menos, 4 de julho de
1875, Jornal das Famílias, no qual publicou de preferência
contos.
O primeiro volume de Machado de Assis foi impresso, em 1861, na
tipografia de Paula Brito, com o título Queda que as mulheres
têm para os tolos, mas o nome de Machado aparecia aí
como tradutor. Em 1862, era censor teatral, cargo não remunerado,
mas que lhe dava ingresso livre nos teatros. Começou também
a colaborar em O Futuro, órgão dirigido por Faustino
Xavier de Novais, irmão de sua futura esposa. Seu primeiro
livro de poesias, Crisálidas, saiu em 1864. Em 1867, foi
nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário
Oficial. Em agosto de 69, morreu Faustino Xavier de Novais e,
menos de três meses depois (12 de novembro de 1869), Machado
de Assis se casou com a irmã do amigo, Carolina Augusta
Xavier de Novais. Foi companheira perfeita durante 35 anos, tendo-lhe
revelado os clássicos portugueses e vários autores
de língua inglesa. O primeiro romance de Machado, Ressurreição,
saiu em 1872. Pouco depois, o escritor foi nomeado primeiro oficial
da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio
e Obras Públicas, iniciando assim a carreira de burocrata
que lhe seria até o fim o meio principal de sobrevivência.
Em 1874, começou a publicar, em O Globo de então
(jornal de Quintino Bocaiúva), em folhetins, o romance
A mão e a luva. Intensificou a colaboração
em jornais e revistas, como O Cruzeiro, A Estação,
Revista Brasileira (ainda na fase Midosi), escrevendo crônicas,
contos, poesia, romances, que iam saindo em folhetins e depois
eram publicados em livros. Uma de suas peças, Tu, só
tu, puro amor, foi levada à cena no Imperial Teatro Dom
Pedro II (junho de 1880), por ocasião das festas organizadas
pelo Real Gabinete Português de Leitura para comemorar o
tricentenário de Camões, e para essa celebração
especialmente escrita. De 1881 a 1897, publicou na Gazeta de Notícias
as suas melhores crônicas. Em 1881, o poeta Pedro Luís
Pereira de Sousa assumiu o cargo de ministro interino da Agricultura,
Comércio e Obras Públicas e convidou Machado de
Assis para seu oficial de gabinete (ele já estivera no
posto, antes, no gabinete de Manuel Buarque de Macedo). Nesse
ano de 1881 saiu também o livro que daria uma nova direção
à carreira literária de Machado de Assis - Memórias
póstumas de Brás Cubas, que ele publicara em folhetins
na Revista Brasileira de 15 de março de 1879 a 15 de dezembro
de 1880. Revelou-se também extraordinário contista
em Papéis avulsos (1882) e nas várias coletâneas
de contos que se seguiram. Em 1889, foi promovido a diretor da
Diretoria do Comércio no Ministério em que servia.
Grande amigo de José Veríssimo, continuou colaborando
na Revista Brasileira também na fase dirigida pelo escritor
paraense. Do grupo de intelectuais que se reunia na Redação
da Revista, e principalmente de Lúcio de Mendonça,
partiu a idéia da criação da Academia Brasileira
de Letras, projeto que Machado de Assis apoiou desde o início.
Comparecia às reuniões preparatórias e, no
dia 28 de janeiro de 1879, quando se instalou a Academia, foi
eleito presidente da instituição, à qual
ele se devotou até o fim da vida.
[Fonte:
Fundação Machado de Assis e ABL]
OBRAS:
A
obra de Machado de Assis pode ser dividida em duas fases: A romântica
e a realista.
Fase romântica:
-
Crisálidas, 1864.
- Falenas, 1870.
-
Contos fluminenses, 1870.
-
Ressurreição, 1872.
-
Histórias da meia-noite, 1873.
-
A mão e a luva, 1874.
-
Americanas, 1875.
- Helena, 1876.
- Iaiá Garcia, 1878.
Fase realista:
- Ocidentais, 1880.
- Memórias póstumas de Brás Cubas,
1881.
- Quincas Borba, 1892.
- Dom Casmurro, 1900.
- Memorial de Aires, 1908.
Contos:
- Missa do galo
- O espelho
- O alienista
Machado de Assis escreveu, ainda, diversos poemas, crônicas,
peças teatrais e críticas literárias.