SONETO
DO CORIFEU
São demais os perigos desta
vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.
Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.
Vinicius de Morais
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Além de poeta, Vinicius de Morais foi compositor, intérprete,
escritor, jornalista, advogado, diplomata. Atuando nas áreas
diplomática e jornalística foi muito respeitado,
mas seu nome foi eternizado pela rica contribuição
que deu à poesia, à prosa, e à música.
Sua vocação artística foi descoberta na Faculdade
de Direito, pelo amigo e romancista Otávio Faria. Estreou
na literatura aos vinte anos de idade, com a publicação
de "O Caminho para a Distância".
A relação de Vinicius de Morais com a música
começou na infância. Seu pai era violonista e sua
mãe pianista. Ambos gostavam de promover encontros musicais
nos finais de semana. Esse lado musical do poeta só foi
conhecido, entretanto, a partir da Bossa Nova.
"Quando tu passas por mim" foi o primeiro samba de sua
autoria. Foi composto em 1953 em parceria com Antonio Maria. Em
1955 Vinicius de Morais montou a peça teatral "Orfeu
da Conceição". A peça foi musicada pelo,
então jovem, pianista Tom Jobim.
O "poetinha" teve outros parceiros musicais, dentre
eles: Francis Hime, Dorival Caymmi, Chico Buarque e Toquinho.
Vinicius de Morais deixou para a cultura nacional registros musicais
de sua paixão pela vida (em especial pelas mulheres), exemplos
clássicos de lirismo e sensualidade poéticos, sem
deixar de transitar pelos, nem sempre românticos, temas
sociais.
OBRAS:
-
O caminho para a distância, (poesia), 1933.
- Forma e exegese (poesia), 1935.
- Ariana, a mulher (poema), 1936. (incluído na Antologia
Poética)
- Novos poemas, 1938.
- Cinco elegias (poema), 1943.
- Poemas, sonetos e Baladas, 1946.
- Pátria minha (poema),1949.
- Novos poemas, 1959.
- Orfeu da Conceição (tragédia em versos),
1960.
- Procura-se uma rosa (peça de teatro em colaboração
com Pedro Bloch e Gláudio Gil), 1961.
- Cordélia e o peregrino (teatro), 1965.
- Para uma menina com uma flor (crônicas), 1968.
- O mergulhador, (poemas), 1968.
- Poesia completa e prosa, 1968.
- Livro de sonetos, 1980.
- A mulher e os signos (poemas), 1980.
- Antologia poética,1981.
- Para viver um grande amor (crônicas e poemas), 1981.
- Arca de Noé (literatura infantil em versos), 1981.
- Poemas de muito amor, 1982.
-
Cinq Elégies (tradução de Jean Georges Rueff),
Paris, Seghers, 1953.
- Recette de femme et autres poèmes (Tradução
de Jean Georges Rueff). Paris, Seghers, 1960.
- Orfeo Nero (Tradução de P.ª Jannini). Milão,
Nuova Academia Editrice, 1961.