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ORIGEM DO TERMO GRAMÁTICA:

Segundo o dicionário Aurélio: [Do lat. grammatica < gr. grammatiké, ‘arte de ler e de escrever’,
f. subst. de grammatikós.]

CONCEITOS DE GRAMÁTICA:

- GRAMÁTICA NORMATIVA 
- GRAMÁTICA DESCRITIVA
- GRAMÁTICA INTERNALIZADA


TIPOS DE GRAMÁTICA:

01 - GRAMÁTICA NORMATIVA
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É ela quem dita (oficialmente) a maneira como os usuários da língua devem utilizá-la, tanto na forma oral quanto na forma escrita, para que sejam considerados cidadãos e cidadãs cultos. Devemos, entretanto, estar atentos ao fato de que a forma culta da língua representa apenas uma de suas variantes, como veremos mais adiante.

Em geral a gramática normativa ocupa-se mais com a língua escrita do que com a língua falada chegando, não raramente, a equacioná-las.

Uma dúvida, comum nessa discussão sobre norma culta, surge ao ser abordado o termo: descrição da norma culta. Descrição da norma culta tem um significado e norma culta tem outro. Para exemplificar, numa pesquisa (hipotética) o estudioso conclui que ao usar a língua, na sua forma culta, o usuário não produz o seguinte enunciado: - Me fale sobre o filme. A partir dessa constatação ele chegará à seguinte descrição da norma culta: As frases não são iniciadas com um pronome oblíquo átono. Somente quando essa descrição for transformada em regra oficial é que teremos a gramática normativa. A partir desse momento a expressão (- Me fale sobre o filme) será considerada errada ou agramatical.

Portanto, é na gramática normativa que se buscam os parâmetros para definir se a utilização do idioma está, ou não, "correta".


02 - GRAMÁTICA DESCRITIVA

A língua possui variações. A gramática descritiva é utilizada em qualquer uma de suas variações. Sua função é descrever e registrar a dinâmica de uma determinada variedade da língua, num determinado momento de sua existência, enfatizando sua forma oral. Ela é, portanto, o resultado do trabalho do lingüista que, partindo de suas observações, descreve e registra a forma pela qual são construidas as estruturas lingüísticas no contexto por ele escolhido, podendo, eventualmente, formular hipóteses que expliquem essas construções. A gramática descritiva pode, em função da corrente lingüística, ser chamada de gramática estrutural, gerativa-transformacional, estratificacional, funcional, etc.

03 - GRAMÁTICA INTERNALIZADA


Ao começarmos a atuar como falantes, na infância, as primeiras frases que dizemos são construidas com base em tudo aquilo que ouvimos, de nossos pais, irmãos, tios, etc. Adquirimos um vocabulário e uma certa lógica de construção dos enunciados. Essas primeiras construções são motivo de graça para os adultos. Ao ouvir, por exemplo, uma criança dizer - Minha irmãozinho caiu do cadeira, nós rimos do aparente "erro". Há, entretanto, uma lógica nessa construção. Embora notemos um problema de concordância, não percebemos uma construção do tipo: - Cadeira irmãozinho caiu minha. A criança, portanto, constuiu a frase baseando-se em regras que ela internalizou ao ouvir os falantes com os quais convive. Essa é a gramática internalizada ou competência lingüística internalizada do falante, aquela que utilizamos "intuitivamente" desde a mais tenra idade até, e inclusive, a vida adulta.

04 - GRAMÁTICA IMPLÍCITA

À medida em que vamos ampliando nossa capacidade comunicativa, passamos a construir enunciados mais elaborados. Ou seja, passamos a utilizar regras e princípios de todos os níveis do sistema lingüístico: fonológico, morfológico, sintático, semântico, pragmático e textual-discursivo. Porém, o uso que o falante faz dessa gramática não é consciente, embora ela esteja em sua "mente". A gramática implícita é também chamada, por alguns, de gramática incosciente.

05 - GRAMÁTICA EXPLÍCITA ou TEÓRICA

Os estudos lingüísticos que tentam explicitar a estrutura, a constituição e o funcionamento da língua representam a gramática explícita ou teórica. Portanto todas as gramáticas normativas e descritivas são gramáticas explícitas ou teóricas.

06 -GRAMÁTICA REFLEXIVA

É aquela gerada a partir da observação e da reflexão sobre a língua. Observando e levantando evidências lingüísticas, ela tenta mostrar como é a gramática implícita do falante, que é a gramática da língua.

07 - GRAMÁTICA CONTRASTIVA ou TRANSFERENCIAL

Faz a descrição de duas línguas simultaneamente, mostrando de que forma os padrões de uma podem ser esperados na outra. É muito útil no ensino da língua materna, pois permite mostrar as diferenças e semelhanças entre as variedades da língua (dialetos regionais, língua oral e escrita, registro formal e coloquial, etc.)

08 - GRAMÁTICA GERAL

"compara o maior número possível de línguas, com o fim de reconhecer todos os fatos lingüísticos realizáveis e as condições em que se realizarão. Não se preocupa com o realizado, mas com as possibilidades que estão por trás dele - é uma gramática de previsão de possibilidades gerais". (Borba, 1971:81)

09 - GRAMÁTICA UNIVERSAL

É uma "gramática de base comparativa que procura descrever e classificar os fatos observados e realizados universalmente" (Todorov e Ducrot, 1978:15). Ela pesquisa, portanto, o que têm em comum todas as línguas do mundo. Alguns exemplos da gramática universal são: a) todas as línguas têm vogal, b) todas as línguas têm dupla articulação, etc.

10 - GRAMÁTICA HISTÓRICA

É a que estuda uma sequência de fases evolutivas de um idioma (Bechara, 1968). Estuda a origem e a evolução de uma língua, acompanhando-lhe as fases desde seu aparecimento até o momento atual. (Travaglia, 2005: 36)

11 - GRAMÁTICA COMPARADA

Estuda uma sequência de fases evolutivas de várias línguas, normalmente buscando encontrar pontos comuns. Os estudos comparativistas foram responsáveis pelo estabelecimento das famílias de línguas, descobrindo parentescos entre línguas aparentemente muito distanciadas como o Latim e o Sânscrito, por exemplo. (Travaglia, 2005: 37)

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