É ela quem dita (oficialmente) a maneira como os
usuários da língua devem utilizá-la,
tanto na forma oral quanto na forma escrita, para que
sejam considerados cidadãos e cidadãs cultos.
Devemos, entretanto, estar atentos ao fato de que a forma
culta da língua representa apenas uma de suas variantes,
como veremos mais adiante.
Em geral a gramática normativa ocupa-se mais com
a língua escrita do que com a língua falada
chegando, não raramente, a equacioná-las.
Uma dúvida, comum nessa discussão sobre
norma culta, surge ao ser abordado o termo: descrição
da norma culta. Descrição da norma
culta tem um significado e norma culta
tem outro. Para exemplificar, numa pesquisa (hipotética)
o estudioso conclui que ao usar a língua, na sua
forma culta, o usuário não produz o seguinte
enunciado: - Me fale sobre o filme. A partir dessa constatação
ele chegará à seguinte descrição
da norma culta: As frases não são iniciadas
com um pronome oblíquo átono. Somente quando
essa descrição for transformada em regra
oficial é que teremos a gramática normativa.
A partir desse momento a expressão (- Me fale sobre
o filme) será considerada errada ou agramatical.
Portanto, é na gramática normativa que se
buscam os parâmetros para definir se a utilização
do idioma está, ou não, "correta".
02
- GRAMÁTICA DESCRITIVA
A
língua possui variações. A gramática
descritiva é utilizada em qualquer uma de suas
variações. Sua função é
descrever e registrar a dinâmica de uma determinada
variedade da língua, num determinado momento de
sua existência, enfatizando sua forma oral. Ela
é, portanto, o resultado do trabalho do lingüista
que, partindo de suas observações, descreve
e registra a forma pela qual são construidas as
estruturas lingüísticas no contexto por ele
escolhido, podendo, eventualmente, formular hipóteses
que expliquem essas construções. A gramática
descritiva pode, em função da corrente lingüística,
ser chamada de gramática estrutural, gerativa-transformacional,
estratificacional, funcional, etc.
03 - GRAMÁTICA INTERNALIZADA
Ao
começarmos a atuar como falantes, na infância,
as primeiras frases que dizemos são construidas
com base em tudo aquilo que ouvimos, de nossos pais, irmãos,
tios, etc. Adquirimos um vocabulário e uma certa
lógica de construção dos enunciados.
Essas primeiras construções são motivo
de graça para os adultos. Ao ouvir, por exemplo,
uma criança dizer - Minha irmãozinho caiu
do cadeira, nós rimos do aparente "erro".
Há, entretanto, uma lógica nessa construção.
Embora notemos um problema de concordância, não
percebemos uma construção do tipo: - Cadeira
irmãozinho caiu minha. A criança, portanto,
constuiu a frase baseando-se em regras que ela internalizou
ao ouvir os falantes com os quais convive. Essa é
a gramática internalizada ou competência
lingüística internalizada do falante,
aquela que utilizamos "intuitivamente" desde
a mais tenra idade até, e inclusive, a vida adulta.
04
- GRAMÁTICA IMPLÍCITA
À
medida em que vamos ampliando nossa capacidade comunicativa,
passamos a construir enunciados mais elaborados. Ou seja,
passamos a utilizar regras e princípios de todos
os níveis do sistema lingüístico: fonológico,
morfológico, sintático, semântico,
pragmático e textual-discursivo. Porém,
o uso que o falante faz dessa gramática não
é consciente, embora ela esteja em sua "mente".
A gramática implícita é também
chamada, por alguns, de gramática incosciente.
05
- GRAMÁTICA EXPLÍCITA ou TEÓRICA
Os
estudos lingüísticos que tentam explicitar
a estrutura, a constituição e o funcionamento
da língua representam a gramática explícita
ou teórica. Portanto todas as gramáticas
normativas e descritivas são gramáticas
explícitas ou teóricas.
06
-GRAMÁTICA REFLEXIVA
É
aquela gerada a partir da observação e da
reflexão sobre a língua. Observando e levantando
evidências lingüísticas, ela tenta mostrar
como é a gramática implícita do falante,
que é a gramática da língua.
07
- GRAMÁTICA CONTRASTIVA ou TRANSFERENCIAL
Faz
a descrição de duas línguas simultaneamente,
mostrando de que forma os padrões de uma podem
ser esperados na outra. É muito útil no
ensino da língua materna, pois permite mostrar
as diferenças e semelhanças entre as variedades
da língua (dialetos regionais, língua oral
e escrita, registro formal e coloquial, etc.)
08
- GRAMÁTICA GERAL
"compara
o maior número possível de línguas,
com o fim de reconhecer todos os fatos lingüísticos
realizáveis e as condições em que
se realizarão. Não se preocupa com o realizado,
mas com as possibilidades que estão por trás
dele - é uma gramática de previsão
de possibilidades gerais". (Borba, 1971:81)
09
- GRAMÁTICA UNIVERSAL
É
uma "gramática de base comparativa que procura
descrever e classificar os fatos observados e realizados
universalmente" (Todorov e Ducrot, 1978:15). Ela
pesquisa, portanto, o que têm em comum todas as
línguas do mundo. Alguns exemplos da gramática
universal são: a) todas as línguas têm
vogal, b) todas as línguas têm dupla articulação,
etc.
10
- GRAMÁTICA HISTÓRICA
É
a que estuda uma sequência de fases evolutivas de
um idioma (Bechara, 1968). Estuda a origem e a evolução
de uma língua, acompanhando-lhe as fases desde
seu aparecimento até o momento atual. (Travaglia,
2005: 36)
11
- GRAMÁTICA COMPARADA
Estuda
uma sequência de fases evolutivas de várias
línguas, normalmente buscando encontrar pontos
comuns. Os estudos comparativistas foram responsáveis
pelo estabelecimento das famílias de línguas,
descobrindo parentescos entre línguas aparentemente
muito distanciadas como o Latim e o Sânscrito, por
exemplo. (Travaglia, 2005: 37)
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