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Projeto NURC (Projeto de Estudo da Norma Lingüística Urbana Culta)
   
O Objetivo do Projeto NURC é documentar e descrever o uso urbano do português falado no Brasil, em seus aspectos fonético-fonológicos, morfológicos, sintáticos e vocabulares. O Projeto se desenvolveu em cinco capitais brasileiras (Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre) e visou ao estudo da fala culta média, habitual. O corpus levantado  no país, a partir de critérios rigorosos na seleção dos informantes e no controle de variáveis, perfaz cerca de 1500 horas de registros magnetofônicos. Esse material representa o desempenho lingüístico de  falantes de ambos os sexos, nascidos na cidade, com escolaridade universitária, distribuídos por três faixas etárias.

SÍNTESE DA HISTÓRIA DO PROJETO NURC
(Por: Luiz Antônio Silva)

Juan Lope Blanch, professor da Universidade Nacional Autônoma do México, foi o autor da proposta de organização de um grande projeto coletivo, a fim de descrever a norma culta no espanhol falado. A proposta foi apresentada durante o II Simpósio do PILEI ( Programa Interamericano de Lingüística e Ensino de Idiomas), em agosto de 1964, em Bloomington, nos Estados Unidos da América. Assim nascia o "Proyeto de Estudio Coordinado  de la Norma Lingüística Culta de las Principales Ciudades de Iberoamérica y de Península Ibérica".

Desde o início,  já se pensava em estender o "Proyeto" às comunidades de língua portuguesa.  Em janeiro de 1968, por ocasião do IV Simpósio do PILEI no México, o Prof. Nélson Rossi, da Universidade Federal da Bahia, apresentou o trabalho "O Projeto de Estudo da Fala Culta e sua Execução no Domínio da Língua Portuguesa".

Nesse  estudo, o Prof. Nélson Rossi  ressaltou  que, diferente dos países de língua espanhola, no Brasil, o "Proyeto"  não poderia limitar-se à capital do país nem ao Rio de Janeiro. Ele sugeriu que o "Proyeto" abrangesse as cinco principais capitais com mais de um milhão de habitantes: Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

Em janeiro de 1969, durante o III Instituto Interamericano de Lingüística, promovido em São Paulo pelo PILEI, foi instalado o "Proyeto" no Brasil. Foi acertado que, para se instalar esse projeto, haveria necessidade de se escolherem os responsáveis pelo trabalho em cada uma das cinco cidades.

O projeto previa três etapas: gravações, transcrição e análise do corpus, conforme um Guia-Questionário.

Inicialmente, eram previstas 400 horas de gravação, selecionando-se 600 informantes (300 do sexo masculino e 300 do sexo feminino) com nível superior de escolaridade, nascidos na cidade sob estudo ou residentes aí desde os cinco anos de idade, filhos de nativos de língua portuguesa, de preferência nascidos na cidade sob pesquisa.

Os informantes foram distribuídos em três faixas etárias:

- 1ª faixa etária: de 25 a 35 anos de idade (30%);
- 2ª faixa etária:de 36 a 55 anos de idade (45%);
- 3ª faixa etária:mais de 56 anos de idade (25%).

Quanto à natureza, as gravações foram divididas em quatro tipos:

- 1º - Gravações secretas de um diálogo espontâneo (GS): 40 horas (10%);
- 2º - Diálogo entre dois informantes (D2): 160 horas (40%);
- 3º - Diálogo entre o informante e o documentador (DID): 160 horas (40%);
- 4º - Elocuções Formais (EF): 40 horas (10%).

No Brasil, as próprias exigências do Projeto,  somadas às dificuldades naturais de se fazer pesquisa e os obstáculos para se conseguirem os informantes adequados, fizeram com que houvesse atraso na conclusão das gravações.

Em 1985, durante a XIII Reunião Nacional do Projeto NURC, realizada em Campinas, decidiu-se que as cidades intercambiariam 18 entrevistas de seu acervo com as demais cidades.   Esse acervo constituiu-se o que se convencionou chamar corpus compartilhado.

O NURC/SP

Duas equipes de documentação trabalharam na constituição do arquivo sonoro do Projeto NURC/SP.

Até meados de 1984, a sala do Projeto ficava no CRUSP ( Conjunto Residencial da USP ). Ali eram guardados todos os materiais, inclusive o arquivo sonoro. Nesse ano, houve a invasão do conjunto, mas, graças à dedicação do Prof. Dino Preti, todo o material  foi salvo da destruição. Com a construção do prédio de Letras, foi destinada uma sala para o Projeto NURC.

Com a dupla coordenação em São  Paulo - Prof. Dino Preti ( USP ) e Prof. Ataliba Teixeira de Castilho (UNICAMP, hoje na USP) - o Projeto NURC/SP acabou tendo duas sedes, uma na Universidade de São Paulo e outra na Universidade Estadual de Campinas.

A equipe de São Paulo logo se posicionou contra o modelo de análise da equipe hispânica, pois o modelo do Guia-Questionário restringia-se aos aspectos da língua escrita. A partir daí, novos rumos foram sendo propostos para a análise dos dados lingüísticos do projeto NURC.

Em 1984, houve na UNICAMP um seminário com o Prof. Dr. Luiz Antônio Marcuschi, da Universidade Federal de Pernambuco, recém chegado da Alemanha, onde havia estado em contato com o importante  grupo de Freiburg. Nesse seminário, foram discutidas normas para a transcrição do corpus e novas estratégias e perspectivas de análise, considerando aspectos próprios da língua falada. A partir de 1985, o Prof. Dino Preti constituiu um grupo permanente de pesquisadores que passou a estudar livros e artigos referentes à Análise da Conversação e sua aplicação ao material do projeto NURC/SP, subdenominando-se, esse grupo, Projeto Nurc/SP - Núcleo USP.


Esse grupo, com pequenas  mudanças em seus integrantes, encarregou-se de transcrever o material do Projeto NURC/SP para publicação e posterior análise. O Projeto NURC/SP tem sido responsável por várias publicações. Num primeiro momento, a partir de 1986, foram publicados três volumes de transcrição do material e um volume de estudos.  Num segundo momento, em 1993, foi iniciada a série "Projetos Paralelos", com a publicação de três volumes.


Fontes: http://www.letras.ufrj.br e http://www.fflch.usp.br

 
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