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"A língua falada foi descrita no Brasil, tanto pelo Projeto NURC quanto e principalmente pelo Projeto de Gramática do Português Falado (8 volumes publicados pela Editora da Unicamp). No final dos anos 80 surgiram algumas teorizações fundamentadas nos achados. O interesse era basicamente descritivo, sem preocupações educacionais. Mas esta foi, aliás, a típica história de atirar no que se vê e acertar no que não se vê. O ensino foi o alvo dessa bala que se supunha perdida. Pois logo nos demos conta (digo nós porque há pelo menos 3 livros publicados sobre o aproveitamento da língua falada nas práticas escolares: o de Luiz Carlos Travaglia, o de Jânia Ramos e o meu) de que a oralidade abria caminhos de muito interesse para uma nação pouco letrada como a nossa. Por meio da língua falada poderíamos chegar à língua escrita, num percurso mais proveitoso, porque fundamentado no que o aluno já sabe para chegar a domínios que ele não conhece. Por outro lado, a universalização do ensino fundamental no Brasil trouxe para a escola alunos de todos os níveis. Aproveitar o conhecimento lingüístico já disponível pelos alunos das camadas socioculturais baixas é uma ótima estratégia para conjurar a evasão escolar. Os alunos deixam a escola pela necessidade de ajudar economicamente a família - e a Bolsa-Escola busca resolver este lado do problema - e também por desinteresse com respeito ao que lá é ensinado. Ora, nossa identidade está em nossa língua. Se a vemos respeitada e aproveitada na escola para o início de nosso percurso, tudo bem. Mas se de cara vão te dizendo que sua linguagem é uma lástima, tchau mesmo! Aqui reside a maior importância da incorporação da língua falada no ensino."


Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho (Fonte: Revista Virtual de Estudos da Linguagem - ReVEL
Ano 3 – número 4 – março de 2005 - ISSN 1678-8931)
QUESTÕES RELACIONADAS À ORALIDADE   
A fala e a escrita    
A fala e o ensino    
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Texto oral: Estutura    
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Texto oral: Correção, Hesitação, Paráfrase e Repetição