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O
meditar - (Rafael
Salamon)
Para
se escutar um sublime cantar
Um
murmurejar estelar a ressoar
Suave
marulhar, plácido ondear
Basta,
em um silenciar, um só mirar
Quando,
estando num calando, ouvindo
Lindo,
infindo, um lento acalanto
Sinto
pulsar, latente, um acordando
Mas
num entretanto, dolente, um pranto
Ecoa,
dissonante, num brado mundano
Arranhando
num arraigado altear
O
cardado cantando do doce calar
A
assonância vazia do quieto entoar
Fatigante
arfar este de escutar
A
bruma de sono do vibrar terreno
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Ósculo
ao crepúsculo - (Rafael
Salamon) Aromas
de pomos sob domos
Espraiam-se
essências em sonolências
Sonhos,
excrescências...
Cálidas
sombras, penumbras
Solicitas,
tácitas, lânguidas
Escoando,
espraiando-se, afagando-me
Nos
rubros fulgores, estertores do arrebol
Que
tombam, assombram, calam fundo
n’alma
minha neste mundo moribundo
contundentes,
sorridentes
orvalhos
falhos, vacilantes
como
caricias mortiças, farfalhantes
instantes
dantes luzentes
agora
crentes infantes Atlantes
singrando
escurezas, incertezas
por
entre tristezas à opacas clarezas
pranteando
vilezas, ansiando belezas
faltas
em vidas anoitecidas
seladas
pelas marcas das Parcas
nas
crepusculares montanhas d’oeste
amortalhadas
pela peste
ao
roçar dos lábios derradeiros
das
asas de noturnas fortunas dos anjos-ceifeiros |
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Miragens
- (Rafael
Salamon)
Escutai!
Escutai,
ó crentes, do Almuaden
As
palavras co’ouro lavoradas
Qu’emanam,
ledas, do minarete:
Em
nome de Allah, o Clemente,
O
Misericordioso, eu canto...
É
sonho...
De
volúveis gênios velados,
Levantinos
aromas soprados
De
tênues levezas vaporosas
Que
se esparramam, tão dengosas,
Bailando,
manado mansamente
São
como
Brumas
balouçando docemente,
Ondas
volteando ao léu dos véus
Lânguidas
volúpias inefáveis
Derramando-se,
magnificentes,
Sob
as tendas negras do deserto
Ocasos
Debruçando-se
ensangüentados
Por
sobre as dunas movediças
Destes
areais de vastas vagas
Por
onde ecoam, retumbantes,
Falazes
estórias farfalhantes
Saudosos,
Ao
crepúsculo, distanciam-se
Os
leves e ondulantes palanquins,
Translúcidas
visões sumindo-se
Fugazes
aos fulgores carmesins,
Miragens,
lufadas nas ramagens...
Enlevos...Ao
som de que liras andaluzas,
Cego,
enleias-te oscilante
Ledo
ao pé das tépidas Musas
As
quais tu canta humildemente
Em
serenas, plácidas paragens?
Luares,
Pálidos
olhares deitando-se,
Outonais,
por sobre as cúpulas
Das
suntuosas torres sarracenas
Que
pairam, etéreas, nos contos
Das
Cem e das mil e uma Noites...
Sublimes
Entoam-se,
dos lábios pendentes
Belas
odaliscas dançarinas
Esmerosamente
cinzeladas,
Tapetes
voadores, maravilhas,
Salutares
oásis, olivais...
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Os
divinos caprichos... - (Rafael
Salamon)
Pois
sabeis vós
Que
dentre os mundos todos
Faz-se
real somente
Aquele
que se vive a sós
Que
Deus Todo Poderoso
Outro
fito não tinha
Quando
o Tudo versejou
Senão
livrar-se do fastio
Da
muito enfadonha eternidade
Da
qual, compadecido,
Poupou-nos
o Senhor
A
Criação é veleidade...
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