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Eliana
Pougy é mestre em Educação (USP) e professora
na pasta Conteúdo e Metodologia da Arte na Universidade de
Mogi das Cruzes. Já publicou em papel e em pixels, no Brasil
e em Portugal. Recebe essa piada que são os direitos autorais
brasileiros. É colunista da revista virtual Cronópios
(www.cronopios.com.br). |
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ARMÁRIO
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(Eliana Pougy)
(Conto publicado na revista literária portuguesa Periférica
www.periferica.org) Ela
nunca abre seu armário. Tem medo de que tudo caia em cima
dela. Fica lá, sentada na cama, olhando pra ele. Nem se lembra
mais o que tem lá dentro. Por isso comprou as prateleiras.
No seu quarto tem várias. As roupas que ela usa ficam nelas.
Depois que se cansa das roupas, dá pra alguém. - Será
que ele é gay? Abrir o armário, nunca. Desde pequena
tem medo de armário. Lá dentro é escuro e cheira
mal. - Alguém me disse uma vez que o ser humano ideal é
bissexual. Será? Sabe que no armário tem roupas de
uma época que não vai mais voltar. Pode ser que nem
sirvam mais pra ela. Às vezes, se enche de coragem. Fica
lá, parada, na frente do armário. Como agora. - Se
ele for, não vou parar de gostar dele. Ela põe a mão
no puxador da porta. - Vou continuar gostando. Sua mão treme.
- E o que eu faço com meu desejo? Fecha os olhos, instintivamente.
- Vou continuar desejando. Do mesmo jeito. Abre os olhos. Não
tem coragem. Sabe que a porta vai continuar fechada. Pelo menos
por hoje. |
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| Não,
eu não te amo. -
(Eliana Pougy)
Porque quando eu penso em
você vejo seus olhos me olhando e suas mãos nos meus
braços. Depois, você me leva prum canto qualquer, me
agarra e a gente se beija na boca. Eu gemo, você me morde
o pescoço e eu sorrio de olhos fechados. Você me empurra
contra a parede e eu puxo seu cabelo pra ver o seu rosto. Você
me olha com essa carinha linda e diz que eu sou tudo pra você
e que você não pode mais viver sem mim. E eu digo que
você demorou muito e que eu não sabia o que era vida
antes de você aparecer. A gente vai se descobrindo, nossas
mãos brincam por todo lado e nossos corpos se encaixam, assim,
perfeitamente. A gente fica sem ar e se olha como se o mundo fosse
acabar amanhã e a gente nunca mais fosse se ver. Você
segura meu rosto e diz que nunca viu nada mais lindo na sua vida.
E eu te olho nos olhos e não digo nada, só choro.
Não, eu não te amo. E isso, não é amor.
Isso, baby, só existe no cinema.
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| Eu,
meus pés, meias de lã. -
(Eliana Pougy)
Está tudo espalhado por aí.
Nossos sonhos, meus dizeres, seus brinquedos.
As panelas no fogão estão vazias.
Os lençóis fora da cama: bolhas de vento.
A pia: louças brancas e talheres azuis.
Está tudo por aí, sem lugar.
E você chega.
Eu preciso que você me ajude a desarrumar
a nossa casa.
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| Poesiaminha
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(Eliana Pougy)
Poesia minha nada
Cria arrancada quase-aborto
Orgasmo de grávida
Vigia
As
palavras cavernosas – de eco
Repetem-se infinitamente
No oco da cabeça.
Minhas
mãos criança-velha
Entornam
E
são. |
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