Um
minuto de chuva para todos os ofícios. Uma écloga
aos vendedores de água que esperaram infrutuosos ao pé
dos neveros. Outro minuto para os triglifos ociosos das fontes
ao meio-dia. Um para os plomeros que amparados ante o calor dos
maçaricos aproximaram o hálito úmido dos
olhos-d'água. Um para o radiestesista enforcado com seu
leontina de ouro. Outro minuto para as lavadeiras emudecidas cujas
conversações jamais voltarão a teñirse
de anil. Um para o hidrofonista que ficou encalhado no leito seco
do arroio. Um minuto para os fareros que custodiavam sem sabê-lo
o delta dos rios. Um para o ajudante-de-campo de um aljibe de
Alejandría que se afogou em metade do sonho. Outro para
os engenheiros que agora auscultam o nível freático
do campo ermo. E um minuto de chuva para os coveiros. Tão
só um para que sua misericórdia e seu magistério
consigam abrandar a terra a nossos ossos.