Levo...
trago...
Nos
olhos a fadiga
Nas mãos o perdão
Nos braços o ardor
Nos dedos a escuridão
Na boca o clamor
Nos lábios a paixão
No peito a liberdade
Nas articulações a novidade
Nas vísceras a loucura
Nos pés a dor
Na cabeça a razão
Na
razão o amanhecer,
As
obliteradas
Lembranças
extáticas
E
a cansada caneta
Caneta
entorpecida por
Emoções...
ilusões...
Na
ponta o coração coloco
No
coração trago os versos
Nos
versos o telepático protesto
Nas
estrofes a vida
Na
poesia o amor
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Glacial
céu me sorriu
Estrelado, estranhamente
Estrelado, com estrelas marcadas
Nunca de antes vistas,
Estrelado como jamais se ousou.
Assim raiou no poente aquela
Noite com toda a ternura do negror,
Que cheirava a paixão, madrinha
Amada de toda a arte.
A
relva macia me
Envolvia em seus braços
Morenos, a lua ensolarada
Refletida estava num mar de letras,
Divagavam os amantes no calendário,
As luzes se misturavam,
As filosofias se enlaçavam,
Os horrores se dispersavam.
O
orvalho dos olhos divinos
Abençoavam tudo.
O sopro gelado dos deuses
Aquecia os ardentes corações
Sedentos por mais amar.
Não se falava em amor,
Vivia-o.
As
memórias se embaraçavam,
Amalgamavam atrizes, histórias,
Poesias, saudades, amadas, musas,
Devaneios, vícios, livros, estrofes...
Os
astros se amavam, me
Envolviam. Abraçava-se os
Abraços, unia-se os lábios,
Os anseios, os delírios,
As galáxias, as mágoas...
Tudo isso só para
Se
ter você(,) perfeita. |